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David Brainerd: Meu Herói


Um homem de grande visão missionária disse uma vez “o espírito de Cristo é o espírito de missões e quanto mais perto Dele estamos, mais intensamente missionário o nosso foco se torna”. Frequentemente eu sou movido pelo espírito de um homem que tinha um foco intensamente missionário. A razão pela qual ele tinha uma foco intensamente missionário era porque ele era obcecado pelo próprio espírito de Cristo. Em sua vida, em seu coração e em sua alma ele viveu por Cristo e trabalhou para Cristo. Ele tinha um espírito missionário quebrantado pelos perdidos e ele nunca perdeu isso. Para avivar nossos corações de maneira que possamos retomar nossa visão como igreja para a maior e mais nobre causa na terra, quero refletir sobre a vida de um homem.


Todos nós temos nossos heróis: Martinho Lutero, Thomas Chalmers, James Begg, John Knox, João Calvino. Um dos meus heróis é David Brainerd. Eu o amo pelo que ele era e pelo que fez. Eu amo o espirito sacrificial que ele tinha por ganhar o não alcançado, o desigrejado e o não salvo de seus dias. Esse piedoso e zeloso homem de Deus renunciou todo os confortos da vida para levar o Evangelho aos índios pagãos no norte da América.


Aqui estou”, disse ele, "envia-me, envia-me até os confins da terra, envia-me para o homem rude, para os pagãos selvagens da mata, envia-me para fora de tudo o que é chamado de conforto na terra, envia-me até mesmo à morte, se isso for para o Teu serviço e para promover o Teu Reino."


Esse mesmo espírito era, infelizmente, muito diferente do espírito de um ministro que encontrei no meu trabalho recentemente, um evangelista em Edimburgo. Enquanto eu o impelia a dar uma explanação do que significa “nascer de novo”, ele replicou, “isso é simples: significa integridade moral”.


É dito que David Brainerd fez seu grande trabalho através de oração e choro secretos. Ele passou muitos dias no interior das florestas sozinho, não podendo falar a língua dos índios selvagens e pagãos. Ele passava dias inteiros em oração, orando simplesmente para que o poder do Espírito Santo viesse sobre ele tão grandemente que os índios não poderiam recusar a mensagem do Evangelho. Ao ouvir, em uma ocasião, que os índios estavam planejando realizar uma festa e dança idólatras, ele passou o dia e noite em oração. Ele escreve:


Essa manhã perto das nove retirei-me para o bosque para orar. Lutei em favor da colheita de almas. Eu estava com tanta angústia que, quando me levantei de joelhos, senti-me extremamente fraco e derrotado. O suor escorria pelo meu rosto e corpo [...]. Eu não me importava com como ou onde eu morava, ou os sofrimentos que passei, com o único propósito de ganhar almas para Cristo.¹"


Essas não foram palavras vazias. Ele praticava o que pregava e praticava o que orava. Frequentemente ele passava dificuldades por falta de alimento, era exposto à fome e ao frio, ficava perdido na floresta, preso em tempestades sem abrigo disponível, passava noites na mata, era constantemente exposto ao perigo de feras e homens selvagens.


Aproximadamente às seis da noite, perdi o meu caminho na selva e caminhei sobre rochas e montanhas, através de pântanos e dos lugares mais terríveis. Eu estava oprimido com o frio e angustiado com uma dor extrema na minha cabeça e no estômago, de tal modo que muito sangue saiu de mim. Mas Deus me preservou, e bendito seja o Seu nome, tais fadigas e dificuldades como estas parecem me afastar mais da terra e, confio, farão do céu um lugar mais doce.²"


Muitos indíos ficavam em lágrimas quando ouviam-no pregar. Depois de pouco tempo que pregou sobre suas almas e salvação, lágrimas jorravam no meio deles produzindo muitos soluços e gemidos. Eles ficavam tão angustiados pelas suas almas que alguns não conseguiam nem deixar a reunião nem ficar de pé. Eles se deitavam no chão em angústia gritando a Deus por misericórdia. Um dos índios que tinha a intenção de assassinar disse ao seu chefe: "O cara pálida é um homem de oração. O Grande Espírito é com ele [...] e ele traz uma mensagem doce e maravilhosa". Continuamos a ser lembrados que sacrifícios financeiros significativos inevitavelmente tem que ser feitos para que a nossa igreja sobreviva. Sejam quais forem os sacrifícios financeiros e administrativos que são feitos, o maior e mais grandioso sacrifício deve ser o espiritual, se quisermos trazer essa mesma "mensagem doce e maravilhosa" de salvação para as pessoas que perecem na Escócia.


Em seu amor pelas almas Brainerd disse:


Não importa onde eu vá, ou como eu viva, ou o que eu tiver de suportar para salvar almas. Quando durmo eu sonho com eles, quando eu acordo eles estão em primeiro lugar em meus pensamentos - nenhuma quantidade de nível escolar, de exposição capaz e profunda, de eloqüência brilhante e inspiradora pode expiar a ausência de um profundo amor solidário e apaixonado pelas almas humanas.³"



| Notas:

|1. Citado a partir do original, "The Diary and Journal of David Brainerd", pág. 53.

| 2. Ibid., pág. 196-197

| 3. Ibid., pág. 181.


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Tradução de Lidi Cecilio

Texto original disponível aqui.

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